A Idade Mídia

10/10/16 Por Leonardo Rios

“Bem-vindo à cultura da convergência, onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”.

 A partir dessa frase, retirada do livro A Cultura da Convergência do Henry Jenkins, uma integrante da minha equipe, que está fazendo um trabalho para faculdade, me perguntou qual é a minha opinião sobre essa nova cultura da convergência? Quais seriam os novos caminhos a serem desenvolvidos para a publicidade na contemporaneidade?

 Li esse livro há muitos anos, para fazer as minhas monografias da faculdade e da pós. O incrível é que o livro continua muito atual, mesmo quase 10 anos depois. Começo a opinar resgatando um termo que usei nessas monos: vivemos na Idade Mídia. E apesar de estarmos cada vez mais cientes da interação e convergência do consumidor com as mídias, continuamos nos surpreendendo pela densidade dessa convergência e velocidade dela.

 A idade é mídia porque, diferentemente das pessoas da minha geração, que ouviram vinil, fita cassete, tiveram walkman e cd player anti-impacto (juro, uma modernidade), os novos consumidores nascem na era do Spotify, nas quais algoritmos geram playlists com uma maior eficiência do que nós mesmos. Consumir música não envolve mais um pagamento direto ou uma espera emocionada para ganhar de presente aquele CD no natal, bem como a decisão do seu reality show preferido, tudo está apenas a um clique dos seus dedos.

 A idade é mídia pois a convergência é tão atual, que até a Rede Globo, maior emissora nacional de TV aberta, entendeu que além da sua grade normal precisa oferecer conteúdo para ser consumido em outras telas e em outro timming (veja bem, não são mais segundas telas, são as outras telas, todas consumidas ao mesmo tempo). A série mais recente que está sendo veiculada no canal, Supermax, foi disponibilizada quase na íntegra (exceto o último capítulo) no Globo Play, aplicativo da emissora, com o intuito de “pescar” aquele espectador que curte o modelo Netflix e não quer mais esperar meses para assistir sua série.

 A idade é mídia porque Masterchef tem audiência de TV no Twitter, porque o Facebook abastece você com mais notícias do que o jornal. Pensamos em KPIs, mudamos as métricas de resultados de campanhas, nos preocupamos com ad-blocks e viewability e publicidade nativa / conteúdo customizado estão no mídia kit de diversos veículos.

 A idade é mídia porque programática está com tudo, o Ibope desenvolveu uma ferramenta que “mede o engajamento dos telespectadores no ambiente digital amplificando a força da TV”, além de 20% dos ouvintes de rádio estarem conectados via mobile e computador.

 Ao escrever minha monografia de pós-graduação, focada em mídias digitais, jamais imaginaria o cenário da mídia de agora. Também era época de eleição nos Estados Unidos, com a equipe do Obama dando um show de como se usar redes sociais em campanha política e a gente olhando tudo aquilo com a emoção da primeira vez. Por coincidência, os Estados Unidos estão em campanha presidencial hoje e as redes sociais são indispensáveis para os candidatos. Em 8 anos, as mudanças vieram velozes e irreversíveis, mostrando também as dificuldades de se fazer uma campanha eficiente e atingir seu público de maneira efetiva diante de tantas plataformas através das quais ele busca informação.

 Se vivemos durante muitos anos o protagonismo da criação, hoje percebemos que o profissional de mídia está cada vez mais sob holofotes. A boa criação continua indispensável, claro. Mas o profissional que consegue dominar os meios e a forma de atingir seu público multiplataforma, realizando planejamentos consistentes, diversificados e eficientes para públicos específicos e em constante mutação será essencial. Cada vez mais o profissional de mídia deverá ser consumidor de inúmeros conteúdos além de antenado também nas plataformas que não consome. O planejamento de mídia se torna cada vez mais desafiador, abrangendo canais usados, inclusive, pela primeira vez.

 A Idade Mídia é uma idade de descoberta e aprendizado e a única coisa que podemos afirmar é que para sobreviver é necessário convergir.