Gerando valor e passando por cima da crise

09/09/16 Por Leonardo Rios

Lembro-me do cenário de alguns anos atrás como se fosse ontem. Mercado em desenvolvimento, agências estrangeiras aportando em um setor ávido por parcerias, marcas investindo pesado em comunicação, grupos internacionais buscando ativos locais para fortalecerem suas bandeiras e uma economia promissora e otimista com o Brasil surfando a maior de todas as ondas: o crescimento. Depois disso, só consigo me recordar do precipício profundo que se aproximava. Cito este momento da nossa história apenas para reavivarmos a memória e podermos comentar aqui as razões pelas quais algumas empresas estão bem, enquanto outras agonizam com suas feridas abertas.

Em tempos de pouco dinheiro tudo muda rapidamente e, infelizmente, algumas organizações demoram a reagir e ficam pousadas na inércia achando que tudo não passa de uma marola desprezível. Pois as coisas não são tão fáceis assim. Mercados como o do Rio de Janeiro se depararam com uma gigantesca muralha de concreto impedindo o seu crescimento e esmagando as corporações despreparadas como se fossem pó. Não foi à toa que dezenas de agências de publicidade fecharam as portas, trazendo um caos que propagou uma gigantesca instabilidade e derramou centenas de profissionais em um cenário com escassas oportunidades de emprego.

Mas como toda história ruim sempre tem um lado positivo, é dele que vamos tratar neste artigo. Afinal de contas, há empresas que conseguem passar por toda esta turbulência de forma bem tranquila.

Como investidor e CEO de uma das maiores agências de publicidade do Rio de Janeiro, pude notar a diferença entre aquelas que, apesar da crise, continuam crescendo, investindo e as que decaem por não conseguirem superar todas as dificuldades geradas ao longo do tempo. Situações como a baixa valorização dos seus serviços, falta de gestão, contratações sem sentido, gastos desnecessários em festivais e, principalmente, a falta de uma estratégia clara são algumas das mazelas que levam empresas de comunicação ao fracasso em tempos de austeridade econômica.

Outro ponto a ser colocado, é que as organizações que estão bem nestes tempos difíceis possuem características muito semelhantes. Todas construíram suas histórias com base no ganha-ganha e não se submeteram às condições desvantajosas propostas por uma parte significativa do mercado. Outra particularidade destes players vem do fato de eles não serem dependentes de uma única forma de remuneração. Quando falo isso, me refiro às competências de uma agência, pois há muito tempo que clientes esperam muito mais dos seus parceiros: uma atuação estratégica em todos os pontos de contato de suas marcas gerando valor para ambos os lados. Não podemos deixar de citar que empresas que investiram em gestão possuem em seus ativos uma organização estrutural capaz de conter gastos e desperdícios, muito comuns neste setor. Sabemos o quanto é difícil pensar nisso, mas posso garantir por experiência própria que vale cada centavo investido ao longo do tempo em construir uma empresa sólida. Isso tem feito a diferença neste momento. Empresas com estas características, estão vendo a crise passar, e se tornando parceiros fortes e comprometidos com os resultados de seus clientes. Pois bem, aquelas agências que se renderam aos caprichos do passado não mais existem. Foram destruídas pelas armadilhas de uma estratégia equivocada, pelas baixas remunerações e pela falta de consistência.

Em tempos difíceis, todos querem estar ao lado dos fortes e somente quando se consegue gerar valor aos seus negócios e aos negócios de seus clientes se é respeitado. Tudo depende de como você está construindo a sua estrada. Os novos tempos mostrarão o quanto não foi em vão este sacrifício. Tudo é cíclico e tudo volta ao que era antes, precisamos ficar atentos e aprender com o passar do tempo, fortalecendo nossa estrutura e investindo em consistência. Essa é a palavra que dita tudo! Quando empresas investem em consistência, não se desesperam com crises. Olham para ela com respeito, mas seguem o seu caminho firmes e fortes.

Os tempos de mediocridade estão com os dias contados, a meritocracia vai dominar o mundo dos negócios e consequentemente das agências de publicidade e comunicação. Cada vez mais clientes vão esperar que seus parceiros ofereçam mais do que simplesmente um layout bonito. Vão exigir compromisso no crescimento de seus negócios, entregando estratégias geradoras de valor. Como diz o grande Nizan, “O lucro liberta”. Precisamos mostrar aos nossos clientes o quanto é importante para eles terem empresas e parceiros fortes e estruturados ao seu lado para juntos saborearem os novos tempos de prosperidade.