Somos Todos Publicitários

16/09/16 Por Leonardo Rios

As grandes festas acabaram e as luzes do Parque Olímpico se apagaram. Depois do job entregue, precisamos tirar lições das Olimpíadas e das Paralimpíadas.

9,81s. Esse foi o tempo que Usain Bolt levou pra cruzar os 100m da pista do Engenhão. Nesse curto espaço de tempo, o corredor jamaicano gerou mais conteúdo do que qualquer publicitário nos 30s de um filme. Memes correram em frente aos nossos olhos, e fotos do “raio” utilizando as marcas do seu patrocinador foram impressas em diversos veículos.

Quanto valeu essa exposição? Dificilmente poderemos calcular, mas podemos aprender que publicidade não se faz mais apenas com filmes de 30s. Pode ser em 9,81s. Geração de conteúdo é o novo desafio da nossa área. Ser relevante é essencial, pois corremos na mesma pista com Bolts da informação na busca pela atenção do expectador. Beleza, temos aí uma lição.

Mas Olimpíadas não se faz apenas com Bolts, Phelps e Biles. Se faz também com mais de 11 mil atletas e alguns patrocinadores. Apagados nos meses anteriores à grande abertura no Maracanã, devido a instabilidade do nosso país, as marcas ganharam força durante o evento. Com grandes estruturas e ações caras (balão, bungee jump, etc.), elas marcaram presença no Boulevard e no Parque Olímpico. Mas a estrela da festa foi o copo da cerveja patrocinadora. Colecionável, tornou-se a lembrança mais barata do evento. Aí vem mais uma lição: o relacionamento com a marca, às vezes, se dá de maneira simples, sem gastar piscinas olímpicas de dinheiro.

A terceira lição vem da Paralimpíada e diz respeito a inclusão de minorias nas campanhas. O tema, discutido há tempos por profissionais de publicidade, virou uma exigência para a qual não podemos fechar os olhos. Já na semana que antecedeu ao evento, uma campanha que trazia a atriz Cléo Pires e o ator Paulo Vilhena viralizou. A peça trazia os dois como atletas paralímpicos com a ajuda do Photoshop.

Não entrarei no mérito das discussões ou avaliarei a qualidade criativa das fotos. Elas cumpriram pelo menos um objetivo: chamaram a atenção para os Jogos que até o momento não estavam na mídia. A própria Paralimpíada criou novos ídolos e novas imagens que estão sendo registradas nas mentes brasileiras. Enxergamos aí outra lição: o tema inclusão deve fazer parte das nossas criações.

Como todo job finalizado, aprendemos com esses grandes eventos. Agora é aplicar no nosso dia-a-dia e torcer para que a publicidade evolua como um atleta que se supera e cria novos recordes.