FULLPACK ENTREVISTA | Fakes News e pós-verdades

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Inaugurando a coluna Fullpack Entrevista, conversamos com o Editor de Mídias Sociais do Jornal O GLOBO e EXTRA, Sérgio Maggi, para debater um assunto do momento: Fakes News e pós-verdades.

Você trabalha em um grande veículo tradicional na gestão do departamento de mídias sociais. Como descreveria o momento que o Jornal impresso está passando e a importância do trabalho nas mídias sociais para esse veículo atualmente?

O jornal impresso ainda vai sobreviver por muito tempo. Mas como a tendência de receita do meio impresso é de queda, para sobreviver estes veículos tradicionais precisam cada vez mais investir no mundo digital e buscar novas receitas. E hoje em dia é impossível para qualquer produtor de conteúdo digital sobreviver sem as redes sociais. Elas são um dos principais canais de distribuição de conteúdo, já tendo inclusive superado as buscas, por anos o mais importante canal para se atrair leitores. Nós entendemos as redes sociais como um importante espaço para trazer audiência para o site, mas também para estabelecer um diálogo com os nossos leitores 

Como funciona a geração de conteúdo nas mídias sociais? Esse conteúdo é produzido por profissionais diferentes? Isto é, matérias online são replicações das matérias dos jornais impressos ou há uma preocupação de construção de conteúdo exclusivo para plataforma? 

As matérias do impresso são replicadas no digital. Mas há também uma grande produção exclusiva para o digital, e a tendência é crescer cada vez mais. Este conteúdo é distribuído pelas redes sociais do jornal. Mas também produzimos conteúdos exclusivos para as redes, como vídeos nativos, lives no Facebook, etc.

Como funciona a interação com os leitores? A interação e discussão nas mídias sociais é um objetivo de vocês ou seria uma plataforma de busca de informação e não tanto de troca de ideias?

Estamos cada vez mais investindo na interação com os leitores, tentando manter um diálogo construtivo. Nem sempre isso é possível por conta da atuação de trolls e grupos que querem apenas criar confusão. Mas a conversa com os leitores é algo em que acreditamos. Agora, por exemplo, estamos testando criar grupos no Facebook para fomentar discussões.

Jornais foram sempre reconhecidos pela credibilidade. Algum tipo de medida está sendo tomada para evitar a propagação das fake News?

O leitor do GLOBO conta, agora, com um canal específico para verificar se as notícias mais comentadas do momento, incluindo declarações de autoridades, são mesmo verídicas: o blog “É isso mesmo?”, que iniciou suas atividades também em março, logo após a integração das Redações de GLOBO e EXTRA. 

Atualizado diariamente, o produto é do mesmo segmento que o “Preto no Branco”, primeira página virtual dedicada à checagem de dados publicada no GLOBO, que nas Eleições de 2014 investigava o grau de veracidade dos discursos de políticos e candidatos. Assim como O GLOBO, o jornal EXTRA também vem combatendo a disseminação de notícias falsas, utilizando a frase “#éboato ou #éverdade” para destacar as checagens que publica frequentemente em seu Facebook.  

 Como as fake News podem atrapalhar o trabalho do jornal?

Fake news atrapalha a sociedade como um todo. No caso dos jornais, ela cria a necessidade de investigar essas histórias para comprovar a veracidade ou não. Além disso, muitas vezes as fake news usam o nome do jornal para tentar dar credibilidade para a notícia falsa, o que é prejudicial para a imagem do veículo. 

 Quais os assuntos que dão mais margem para geração de boatos?

Hoje em dia, praticamente qualquer assunto dá margem para boatos. Os boatos sempre existiram, principalmente envolvendo celebridades, as chamadas fofocas. O risco hoje em dia é que esses boatos tratam de assuntos importantes. E, em um mundo onde as pessoas costumam compartilhar nas redes notícias apenas lendo o título e sem checar a veracidade, a disseminação das fake news é muito rápida e muito abrangente. Já existem grupos especializados e que faturam espalhando boatos pelas redes.